Quarta-feira, 15 de abril de 2026
A 74 dias da maratona, o celular desperta. Se eu tentasse
negociar com a minha mente, perderia fácil. Ela diria assim:
“Fique mais uns 30 minutos na cama. Você merece
descansar, pois ontem trabalhou manhã e tarde, e ainda entregou o treino
intervalado. Coitado! Foi dormir tarde... blá, blá, blá!”
Como dizem por aí: “nem pensa, só vai”. Fui. Sem me
preocupar com a performance, uma vez que o treino de hoje era leve, estilo
regenerativo — compreende?
Nos primeiros três horários, treinei panturrilha enquanto
aplicava provas; depois, uma aula com questão discursiva e duas janelas para
sonhar. Janelas na rotina de um professor são templos de respiro na jornada.
Adoro.
Nenhum motivo para reclamar de nada. Se estou de boa? Com
muitas tarefas da profissão — trabalhos e provas para corrigir, projeto para
escrever, entre outras demandas urgentes —, mas sim, estou em paz, em ritmo de
ajustes.
Encerro por aqui a escrita de hoje, pois ainda tenho uma
reunião e um curso de formação pela frente.
E vamos que VAMOS...
Farelo na Pista
Quando saio do ritmo, levo algumas horas ou até dias para reencontrar o tom. O erro ao final da manhã de ontem foi apenas a ponta dos desajustes que desabrocharam ao longo da tarde, atravessaram a noite e despontaram na manhã de hoje: prazos não cumpridos, negativas de projetos importantes e uma queda de energia nos preparativos da próxima atividade. Parecia o fim. Mas não; era apenas o enredo dos desarranjos protagonizando alguns sinais.
Não bastassem os equívocos, foi preciso encarar uma inquietação antiga: a perda temporária de objetos pessoais. Desta vez, sumiu o estojo com canetas, pincéis de quadro branco, lápis, lapiseira e um pen drive com arquivos importantes.
Com o atraso causado pela procura, veio a mudança repentina no plano de aula. No lugar do conteúdo previsto, a análise e a correção da prova aplicada ontem. Sobrou tempo para a chamada e para a conversa, sem a toada frenética e desenfreada das últimas semanas. Foi um momento para me sentir mais próximo dos estudantes — mais humano, menos máquina; menos um robô que "cospe" matéria sem pestanejar.
Antes de receber a notícia de que o estojo estava em casa — largado debaixo do sofá após pular da mochila no final de semana —, eu já começava a interpretar os sinais da necessidade de me desligar.
A tarde foi mais leve. Não apenas pelo reencontro com os pertences, mas pela reconexão; por me pertencer novamente. Há horas em que a vida nos lembra de que somos humanos, e quando aceitamos isso, é gratificante.
Jamais imaginei que estaria, no início da noite, escrevendo assim, de modo visceral: períodos longos, frases sem filtro, compromisso apenas com a entrega. Em respeito ao seu tempo, não entrarei em mais detalhes.
O dia, porém, não acabou. Às 21h, haverá o treino intervalado — que o amigo Marcelo Camargo chama de "tiroteio". Até lá, buscarei minha filha no inglês, atravessaremos a cidade, faremos um lanche e, finalmente, a academia.
Peço desculpas por me alongar.
... E vamos que VAMOS ...
Farelo na Pista
A 76 dias da maratona. Dei início às atividades às 05h. Foi um treino fraco de 40 minutos, comumente chamado de "trote".
Desde 2024, venho ressignificando cada uma dessas atividades; então, por uma questão de estética, chamo-o de "Espelho dos Princípios".
Antes mesmo das 06h, levei a filha mais velha para a
escola. Na volta, passei na padaria e segui para o segundo treino: musculação.
Força!
Café da manhã com a esposa e a filha caçula, ida ao
barbeiro, passada no açougue para solicitar os cortes da semana. Eis que recebo
uma notícia, via WhatsApp, sobre um descuido no trabalho.
Uma questão a menos. Assumi. O erro foi meu. Eu estava no
final do processo e deveria ter conferido o arquivo da prova com mais atenção,
mas, infelizmente, falhei e... paciência.
Sim, é chato. Acontece — mas não deveria. Só não vou
deixar que esse descuido estrague meu dia.
Eis um pouco da minha segunda-feira. Vida real, sem
filtros, nada "instagramável", apenas o registro no branco da página.
E... vamos que vamos.
Farelo na Pista.
Domingo, 12 de abril de 2026
Um cabeçalho típico como este te lembra algum gênero
textual? Uma carta pessoal, a página de um diário, a abertura de um relatório,
um memorando, talvez?
Nesta nossa conversa, o texto será um pouco sobre tudo
isso. É que estou experimentando uma série de emoções que ultrapassa as
fronteiras de quaisquer gêneros textuais.
Que experiência é essa que estou vivendo? O ciclo da
primeira maratona. Nesta data, estou a 77 dias da maior prova de corrida da
minha vida.
2) Por mais ultrapassadas que possam parecer, as páginas de um diário são a forma mais adequada para o registro dos desafios, descobertas, surpresas e foco na preparação para uma maratona;
3) Por enquanto, nada de vídeos longos ou "textões" nas redes sociais; por meio desses escritos aqui na minha página, vou compondo uma espécie de relatório da jornada;
4) Todas as formas, vistas de longe, lá na frente, talvez rumo a outros desafios, funcionarão bem como um memorando.
Mas, como escreveu Paulo Leminski: “não discuto com o destino/o que pintar eu assino”. O futuro a Deus pertence. E que Ele me abençoe nesta jornada que está começando.
Farelo na Pista
Por conta dos indicativos de chuva, lá em dezembro de 2025, entre as temperanças do forte calor, cancelamos uma das atividades da programação do instituto. Naquela vez, as águas não caíram.
Caíram no restante de dezembro, em boa parte de janeiro e
chegaram com toda força em fevereiro. Março, nem se fala: chuva por semanas.
Nova data, dia 15. Todos de olho nas previsões. Chuva na quinta, na sexta... o
sábado amanheceu com garoa ao longo da manhã. Contato com o contador de
histórias, mensagem para o fotógrafo, post indireto para São Pedro no story...
colocamos nas mãos de Deus. O que tivesse de ser, seria; não iríamos desmarcar.
Manhã de domingo com sol tímido, antes das 7h. Agradecemos a bênção e "bora" terminar de separar os livros. Gêneros textuais, faixa etária, livros infantis, os de adultos (os moradores têm solicitado muito romance) e os quadrinhos, que não podem ficar de fora. E vamos que VAMOS!
Antes mesmo de a missa começar, já estávamos espalhando os títulos no entorno da principal praça do bairro Nacional (Contagem-MG). “Cês vão vender livros aqui hoje?”, “Até que horas cês vão ficar?”, “O sinhô só pode tá de brincadeira com a gente!”.
E ali começa o espanto para alguns — porque para nós é sempre um encanto. O motivo da desconfiança: pessoas doando livros na praça... livros de graça, 0800? Para nós, a gratidão de seguir firme na missão de garantir o acesso à literatura de modo simples, sem protocolos, fichas, cadastros ou quaisquer tons de burocracia. Simplesmente o prazer de ler e encontrar novos mundos, reinventar-se a partir da palavra: imaginação, fantasia, descoberta e coragem.
Com três palavras, no último parágrafo deste simples relato, o contador de histórias Paulo Fernandes,
que está conosco desde o princípio do início (risos), definiu a atividade da manhã do dia
15/03/2026.
Por um desejo antigo, uma vontade adormecida, talvez. Estava lá, entre as listas de sonhos: um dia ler, para valer, o clássico.
As adaptações indicadas nos tempos de escola —
embora bem-intencionadas e, muitas vezes, ilustradas — já não bastavam. O sabor
já havia se dispersado em meio às inúmeras degustações. Era hora de colher os
próprios frutos para, enfim, apreciar o néctar da obra.
Por isso mesmo, recusei todos os tipos de
ajuda, como escadas ou equipamentos de colheita.
Dito de outra forma, em "linguagem de dia
de semana": não fui atrás de nenhum estudioso ou especialista em Miguel de
Cervantes. Nada de estudos orientados. Aceitei o desafio de ler sem suporte ou
auxílio de qualquer natureza. Quis ler a obra pela obra.
Resultado parcial: valeu cada
segundo diante das aventuras do "Cavaleiro da Triste Figura". Em
breve, em linguagem direta, quero lhe contar um pouco sobre as janelas que essa
obra abriu em minha casa.
Boa noite e ...
farelos por aí...
Nossa última conversa foi no domingo, com
promessas de novidades. Veio a programação intensa da semana e depenou este
inocente que vos escreve.
A ideia era lhe trazer um texto mais coeso e
esperançoso sobre a temporada que passei com Dom Quixote e Sancho Pança. Estava
previsto para terça-feira, mas com tantas demandas, nem peguei a lapiseira para
o primeiro rascunho.
Já é tarde de quinta-feira e não sei em quais
pilhas de contratos com o tempo foi parar meu tempo de escrita e leitura. Não
se trata de uma reclamação; é apenas uma observação insensata sobre as
atividades que vão nos atropelando, nos detonando.
E quando consigo fazer uma breve pausa para
estar com você, percebo que me encontro em cacos. Depois dizem que professor
trabalha pouco, que atleta amador não tem lá seus perrengues e que escritor não
precisa batalhar por tempo para exercer seu ofício. Ai, ai, ai... viver só de
escrita ainda é um sonho.
Bem, essa nossa conversa já se estendeu
demais. Como você tem lidado com as inúmeras tarefas do início de ano? Conte-me
aqui. Quem sabe não estamos no mesmo barco?
Boa noite e
... farelos por aí...



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