Quando saio do ritmo, levo algumas horas ou até dias para reencontrar o tom. O erro ao final da manhã de ontem foi apenas a ponta dos desajustes que desabrocharam ao longo da tarde, atravessaram a noite e despontaram na manhã de hoje: prazos não cumpridos, negativas de projetos importantes e uma queda de energia nos preparativos da próxima atividade. Parecia o fim. Mas não; era apenas o enredo dos desarranjos protagonizando alguns sinais.
Não bastassem os equívocos, foi preciso encarar uma inquietação antiga: a perda temporária de objetos pessoais. Desta vez, sumiu o estojo com canetas, pincéis de quadro branco, lápis, lapiseira e um pen drive com arquivos importantes.
Com o atraso causado pela procura, veio a mudança repentina no plano de aula. No lugar do conteúdo previsto, a análise e a correção da prova aplicada ontem. Sobrou tempo para a chamada e para a conversa, sem a toada frenética e desenfreada das últimas semanas. Foi um momento para me sentir mais próximo dos estudantes — mais humano, menos máquina; menos um robô que "cospe" matéria sem pestanejar.
Antes de receber a notícia de que o estojo estava em casa — largado debaixo do sofá após pular da mochila no final de semana —, eu já começava a interpretar os sinais da necessidade de me desligar.
A tarde foi mais leve. Não apenas pelo reencontro com os pertences, mas pela reconexão; por me pertencer novamente. Há horas em que a vida nos lembra de que somos humanos, e quando aceitamos isso, é gratificante.
Jamais imaginei que estaria, no início da noite, escrevendo assim, de modo visceral: períodos longos, frases sem filtro, compromisso apenas com a entrega. Em respeito ao seu tempo, não entrarei em mais detalhes.
O dia, porém, não acabou. Às 21h, haverá o treino intervalado — que o amigo Marcelo Camargo chama de "tiroteio". Até lá, buscarei minha filha no inglês, atravessaremos a cidade, faremos um lanche e, finalmente, a academia.
Peço desculpas por me alongar.
... E vamos que VAMOS ...
Farelo na Pista

.jpg)





