Sancho,
Após
trabalhar manhã e tarde, tive uma reunião com a equipe de Linguagens, das 19h
às 20h30. Na sequência, a correria ao shopping para comprar o presente da mãe
das meninas e um jantar tardio. Cama, só depois das 23h. Quarta-feira, 06 de
maio de 2026.
Acordei
antes do alarme, fui ao banheiro com os olhos ainda fechados, sem acender a luz
e com uma dor de cabeça medonha, pesando sobre os olhos. O cálculo do treino:
aquecimento, depois uns 6,7 km num ritmo forte; se eu ficasse até completar
1h15, daria tempo de voltar e despertar a Cecília? A conta não fechava. Era a
soma dos cansaços juntamente com a carência de Vitamina S.
Voltei
para a cama com os olhos cheios de areia, o embaraço dos pensamentos e os
sintomas de uma gripe — seria esse outono um presságio de inverno? Ou apenas a
insatisfação de não conseguir subir para a pista, interrompendo o segundo
treino da semana? Esse negócio de ser disciplinado mexe com a gente.
Só nos
dirigindo ao trabalho, em conversa com a Cecília (ô menina boa de prosa, gente;
você teria orgulho de trocar umas ideias com ela), cheguei à conclusão de que
tudo isso não passa de moinhos de vento espalhados ao longo dos caminhos
daqueles que inventam de correr uma maratona. Em contextos do Mestre Cervantes,
ouso dizer que se trata da penosa luta que travamos com os pequenos gigantes do
cotidiano.
Enquanto
aqui estou em diálogo com meu fiel escudeiro, liberto-me da ideia de que
inventei uma desculpa esfarrapada para não treinar. Nada disso. No limite. E de
uma coisa estou certo: ao escrever, aprimoro o manuseio da espada, alimento o
Rocinante e vou tirando as palavras sombrias da caixola.
Sancho,
perdoe-me por estar assim, nesse estado confuso; estou sob o efeito de uma
Dipirona. Que Deus me abençoe! Dor de cabeça não presta.
Abraço,
...






