Tarde de sábado, seu safado!

 

Sancho, Sancho, meu amigo, quase apanhei em casa no início da tarde. Eu ia contar para a dona esposa que lá no Bar do Coquinho eu conheci a tal da Germana.

 

Nos seus tempos de boteco, você chegou a experimentar uma dose da Germana? Por falar em aguardente, Sancho, seus amigos todos lá querem notícias suas. Cadê o Pança? Ele está bem? Continua fofo? Você é muito popular, meu amigo. Será que, quando ela descobrir, a patroa vai me xingar?

 

Estou te contando essas coisas porque eu precisava comemorar o LONGÃO de hoje. E, claro, já mando um salve para quem lá da BH Run estiver lendo este texto. Graças à assessoria deles, seguimos firmes aí no ciclo de treinamento.

 

Sancho, hoje estava tudo certo para dar errado. Não é trocadilho barato não, moço. Começou zebrando ontem à tarde/noite. Hidratação capenga por conta das atividades do instituto, fiquei muito tempo sem comer, o jantar lá pelas tantas, umas 23h. Exausto, dormi tarde para madrugar. Comecei o dia indo três vezes ao banheiro antes de descer para a pista. Barriga pesada, a falta de vitamina S; mas fui assim mesmo: disciplina.

 

Escolhi o lado da Pampulha que ainda tem matinho, caso batesse algum desconforto... se é que você me entende. O treino não encaixava de jeito maneira: ora rápido demais, às vezes abaixo do proposto; mas me mantive firme. Não parei. E água gelada na cara, na garganta, na cabeça, porque o sol já castigava. Pela graça de Deus e pela constância que venho buscando manter — com todo o apoio da assessoria —, conseguimos, Sancho.

 

Em comemoração, a Germana me fez companhia enquanto era preparada a porção de tropeiro e torresmo para a família. Eita nós!

 

Aqui, sobre essas atividades do instituto, a gente conversa depois, demorou? Agora tenho um compromisso: uma batalha de hip hop para prestigiar.

 

Fui.

 

...


 

Querido Sancho,

 

Que semana incrível estamos vivendo, hein?! Foram tantas mancadas, vacilos tão grandes que nem consigo listá-los todos aqui.

 

Ah, mas como sei que você vai ficar curioso, aí vão alguns: passei um tempão preparando a aula especial sobre o Naturalismo, mas confundi a data. Na minha cabeça, seria no dia 22, só que rolou ontem. Pelo menos valeu cada segundo com os nossos viajantes... uma aventura pelo final do século XIX.

 

Há três semanas, pensei que tivesse enviado um documento importante para um dos setores de apoio da escola. Só ficou no pensamento. Quase morri de vergonha quando fui cobrado e assumi o descuido.

 

O dia de ontem foi tão tranquilo, mas tão "de boa", que não tive tempo nem para tomar café da manhã, acredita? Só que, no meio desse caos todo, tive mais uma ideia estranha: antecipar o final de semana com as atividades culturais, marcando a estreia com um "filtro de horário" nos stories do Instagram — @farelodequiat — vai que alguém queira nos seguir por lá?


22:04 — No porão de casa, selecionando obras literárias para um evento do “Instituto Livros em Todo Lugar”.

 

22:41 — Curadoria concluída, hora de se preparar para dormir um pouco.


04:50 — Já de pé, preparado para o treino leve de corrida.


05:53 — Treino concluído, dentro do carro para levar a filha mais velha para a escola.

 

08:07 — Na Escola Estadual Boa Vista, em Contagem, preparando a biblioteca para a roda de conversa sobre a importância da leitura literária.

 

10:24 — Ação concluída com sucesso. Um salve para o nosso mediador Paulo Fernandes, que conduziu a atividade com grande maestria. Hora de voltar para casa.

 

11:27 — A segunda curadoria, em menos de 24h, para o evento que vai rolar em outra escola, dessa vez na cidade de Belo Horizonte.

 

Bem, a ideia é continuar registrando até a tarde de sábado. Que Deus nos abençoe até lá. Agora tenho que ir me preparar para as próximas ações.

 

Até breve, Sancho amigo.

 


 Meu caro Sancho,

 

Hoje, o silêncio da casa antes do sol nascer foi meu único companheiro. Sabe, há dias em que o corpo e o relógio travam um duelo, e hoje o despertador sequer precisou tocar. Eu já estava lá, de olhos abertos, encarando o teto e calculando as passadas.

 

A meta eram 10 km, Sancho. E não era qualquer leveza; era ritmo puxado, daqueles que exigem cada gota de concentração e não admitem interrupções. Era para "sentar a botina". Era.

 

Se eu saísse para buscar esse tempo, não estaria aqui para acordar a filha mais velha, preparar o banho e organizar a ida para a escola. Em dias de trote leve, a gente até troca ideias com o asfalto, vai e volta, dá um jeito. Mas hoje? Hoje a pista exigia exclusividade.

 

A verdade, meu fiel escudeiro, é que a noite passada foi longa. Entre o lançamento de notas do colégio e os pequenos reparos que uma casa sempre pede, o sono chegou tarde.

 

Aqui, não são desculpas esfarrapadas, você me conhece — é apenas a vida real se impondo sobre os moinhos de vento da minha rotina rumo à maratona. O resultado? Não deu. O treino ficou no "quase".

 

Mas não desanimo, pois o cavaleiro aqui não entrega a armadura. Amanhã a agenda estará apertada, cheia de tarefas que me dão vida, e é nesse tom que vou encontrar uma janela para correr.

 

O sábado nos reserva o treino longo, o verdadeiro teste de resistência, para que no domingo eu possa, enfim, dar o descanso merecido aos pés e à mente.

 

Seguimos, Sancho. Se não foi na velocidade de hoje, será na toada de amanhã.

 

...


 

 

Querido Sancho,

 

Nesses últimos dias, ingeri algumas cápsulas de Vitamina S. E essa última noite... bom, sem comentários. Eu me senti tão bem.

 

Sono. Consegui dormir bastante, descansar o corpo, a mente e dormir até estranhar a cama. O trote de hoje foi incrível; parecia até que eu estava de férias. Fluiu, rendeu. Pena que foram apenas 40 minutos, mas tudo bem, porque amanhã é dia de "sentar a botina". Não quero nem pensar nisso agora, amigo.

 

Sancho, na escola, peguei um estudante co-lan-do. Na hora de depositar o celular no armário, ele jurou: “não trouxe”. Estava lá, registrado na lista de presença. Passados alguns minutos, eis que surge um aparelho com a tela quebrada, escondido na cadeira, entre a parede e a perna do menino. E o pior: pedindo socorro para o GPT? Graxa.

 

Depois da aplicação de provas, seguiu-se o roteiro: reflexões sobre os “olhos de ressaca” da Capitu, lançamento de notas, preparação de aulas e aquele povo que adora conversar pelos cotovelos. Tive até que esclarecer:


— Comigo está tudo bem. Não estou doente, muito menos tomando Mounjaro, certo?

 

Agora, vou saindo de fininho, Sancho, porque ministrarei uma aula especial sobre um estilo literário lá do Século XIX.

 

Abraço,

...

 


Sancho querido,


Por ir para a cama mais cedo, rolaram alguns pesadelos. Ao despertar, que dia é hoje? Nossa! É dia de coleta. Separa daqui, corre para lá... será que vai dar tempo de o caminhão recolher? Cachorras latem, querem a liberdade da rua. Cadê a chave? Caminhão buzinando, os atletas da limpeza gritando. Não, não deu tempo.

 

A tarefa não foi concluída. A casa da sogra? Lá eles passam um pouco mais tarde, vai dar tempo! Tiro o carro da garagem, saco no porta-malas e lá vamos nós; do contrário, só na quinta para o acumulado desses dias. Até lá, seriam três sacos de lixo. Meu Deus!

 

Ufa! Deu tempo. Deixei o saco no passeio da minha querida sogra. Tomara que ela não descubra essa minha "arte". E teve padaria, comida, água para as cadelas, o café preparado para a esposa... Sem pensar muito, hora do treino mais temido da semana: CANEQUINHA! Aquele em que contamos devagar para não perder a linha.

 

Já conversamos a respeito desse abençoado. O Marcelo Camargo o chama de “TIROTEIO”; no mundo da corrida, INTERVALADO. O abençoado consegue separar o corpo da alma com uma habilidade incrível. Parece que o ponteiro do relógio congela nosso esforço.

 

Assim que comecei a fazer esse tipo de treino, levava uma canequinha azul com milho ou feijão e ia contando os tiros. Cada grão, um tiro concluído. Divertir-se com a própria dor. Agora, coloco em um bloco de notas e, enquanto caminho, dou um “check”!

 

Sobrevivi! Agora, vou me desdobrar nas tarefas do instituto “Livros em Todo Lugar” e da escola. Como sabe, Sancho, minha vida não se restringe à corrida; há outras lutas, não é mesmo?


...


 



 Sancho querido,

 

E não é que tivemos uma segunda-feira diferentona? Não se assuste com o adjetivo, amigo. Vou te contar como foi.

 

Primeiro, que amanhã é feriado nacional – Dia de Tiradentes, um cavaleiro lá do século XVIII. Hoje foi recesso na escola e a consequência disso? Família toda em casa. Ao menos por um tempo.

 

Comecei o dia com aquele treino que nomeei “Espelho dos Princípios”, está lembrado? Um trote, Sancho. O tipo mais leve de corrida; é possível executá-lo conversando, trocando ideias, entende?

 

Assim que voltei, a família já se preparava para o tão aguardado rolê do feriadão: passar o dia em um hotel-fazenda, a uns 60 km de casa! Partimos para lá sem café da manhã. Acredita?

 

Ah, Sancho, só faltou você à mesa. Quantas iguarias! Bolos, biscoitos, roscas, pães deliciosos. Até matei a saudade do leite queimadinho. Memória dos tempos de menino.

A filha caçula foi logo se trocando; a outra caçou uma rede entre as árvores para recuperar o sono, já que dormiu tarde.

 

Nem sei como, enquanto eu lia a obra Toada da terra de lá, de Gisele Garcia, apareceu uma gata de três cores esbanjando charme, mas que também implorava por carinho. Resultado: só fui terminar a leitura às vésperas do almoço, após ter apagado em uma das redes debaixo das árvores.

 

Não foi só leitura e soneca, não. Rolou piscina, muita música boa e o almoço em si... bem, esse nem tanto (faltou um pouco de sal). Mas estar assim com a família está acima de qualquer tempero, Sancho. Todos nós precisávamos muito deste dia, um momento de descanso. Como foi bom!

 

Pretendo até dormir mais cedo. Estou pregado!

 

Boa noite!

...

 
Caro Sancho*,


Nesta data, aproveitando que é dia de merecido descanso das atividades físicas, quero esclarecer alguns pontos para quem está chegando agora. Bora lá?!


Farelo na Pista é o nome do projeto de preparação para a minha primeira maratona. Teve início em 3 de janeiro de 2023. Não foi uma promessa vazia de Ano Novo, mas uma proposta de nova vida.


Na estrada: já se foram algumas voltas na Lagoa da Pampulha, umas poucas meias maratonas e os desafios de aniversário do Instituto Livros em Todo Lugar.


Eu não "meti o louco": não acordei e disse "vou correr uma maratona". Nada disso. Desde 2022, conto com o apoio técnico, profissional e psicológico da BH Run, assessoria com longa experiência.


O batismo: nessa assessoria, após completar um desafio, meu treinador me presenteou com um adjetivo que carrego com honra: Atleta do incentivo à leitura.


A inspiração: após sete semanas mergulhado nos dois volumes do clássico de Miguel de Cervantes, elegi Dom Quixote como personagem-símbolo desta jornada. Para quem não sabe, em um ciclo de maratona a gente leva inúmeras pancadas — tal qual o cavaleiro andante em sua jornada.


O sinal: ainda sobre o personagem, ao final de cada semana, no famoso LONGÃO, aparece lá nos stories uma ilustração dele sobre o cavalo, acompanhada dos detalhes do treino.


O pacto: a referência explícita ao fiel escudeiro de Quixote, a partir de agora, será o modo como começarei nossas conversas.


Sabe o que isso significa? Todos que estiverem comigo nessa jornada serão meus confidentes. Jovens, adultos, idosos... todos vocês serão, para mim, Sancho Pança.


Vamos que amanhã tem TREINO. 


Bom descanso e boa noite!

 

Diário querido,

 

Nem comecei a sentir o cheiro do almoço ainda, mas a curiosidade falou mais alto e vim correndo te contar as novidades. Uma tem a ver com dor; a outra, com a cara das nossas conversas daqui para frente. Preparado?

 

1. O preço da velocidade

 

Às 03h40, dei início ao treino mais rápido da minha vida. O resultado? RP triplo: bati minhas marcas nos 10 km, nos 21 km e nos 30 km!

 

Estou radiante com a conquista, mas, como tudo tem um preço, levei uma bronca do treinador (com razão, o risco de lesão foi alto) e conheci o famigerado "mamilo de corredor".

 

Eu achava que isso era lenda ou coisa de atleta de elite. Para quem não sabe, é um sangramento causado pelo atrito constante da camiseta com a pele, potencializado pelo suor. No meu caso, não foi nenhum filme de terror, mas o alerta acendeu: o próximo item da lista de compras é vaselina. Já não basta carregar o "charme" de algumas unhas a menos nos pés, agora a teta resolveu protestar? Rindo para não chorar!

 

2. Identidade renovada

 

Saindo da dor e indo direto para a estética — ou melhor, para a identidade visual do Farelo na Pista. A partir da próxima postagem, teremos uma capa fixa aqui no site. Uhuuuuu!

 

Depois de uma semana intensa de registros neste "Diário da Maratona", sempre com fotos naquele mesmo clima (caneta, papel, mãos escrevendo), chegou a hora de formalizar. A imagem será a mesma, mudando apenas a contagem dos dias. Com isso, começo também a divulgar o projeto oficialmente.

 

Não sei onde essa trilha vai dar, mas quem sabe alguém não se anima a embarcar nessa jornada comigo?

 

Até amanhã...

 

Farelo na Pista


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